Cerca de 2 mil famílias da ocupação Douglas Rodrigues, na zona norte de São Paulo, vivem clima de medo

PUBLICADO EM REDE BRASIL ATUAL

São Paulo – Cerca de 2 mil famílias que moram na Ocupação Douglas Rodrigues, na Vila Maria, zona norte de São Paulo, receberam ação de reintegração de posse, e desde então vivem um clima de medo. A Justiça de São Paulo decidiu reabrir uma ação de reintegração, como mostra reportagem de André Gianocari, na edição do Seu Jornal desta quarta-feira (26), na TVT.

Se a medida for cumprida, essas famílias não terão para onde ir. Esse é o caso da comerciante Kelle Suyanne Fernandes, casada e mãe de três filhos, que afirma não ter condições de procurar outro lugar. “Se eu sair daqui agora eu não tenho nem onde morar, porque eu não tenho condições de pagar aluguel com três crianças pequenas.”

A ocupação existe desde  2013 em terreno de 50 mil metros quadrados. A área pertencia à transportadora Dom Vital, mas depois de falir, há mais de 20 anos, a área passou a ser da Ideal Empreendimentos Imobiliários. E essa empresa deve mais de R$ 1 bilhão em impostos para a União. Segundo moradores, a empresa só existe para lavar dinheiro. 

Segundo a presidente do Movimento Independente de Luta por Habitação, Nilda Dias, a Ideal deve mais de R$ 6 bilhões para o Estado. “Essa empresa não existe, porque ela fala que é uma construtora, mas nunca construiu um bloco aqui em São Paulo; o escritório é virtual e a gente não está entendendo que decisão o poder público está tomando. É uma empresa de fachada, que usava esse terreno como lavagem de dinheiro.” 

A advogada Juliana Avanci, do Centro Gaspar Garcia, diz que já houve uma decisão judicial em Pernambuco, que foi proposta pela procuradoria federal, na qual ficou comprovado que a Ideal faz parte de um grupo econômico que foi criado com o intuito de promover fraudes fiscais, trabalhistas, tributárias etc. “Quando a gente faz essa afirmação, não é uma tentativa de fragilizar a empresa, nada do tipo. Isso já consta em uma decisão judicial e nem cabe mais recurso. Portanto, já houve essa condenação na Justiça Federal de Pernambuco”, afirma.

Apesar da condenação, a justiça paulista emitiu sentença de reintegração de posse para beneficiar a empresa. Esta já é a sétima ação de despejo que os assentados recebem. Segundo os representantes dos moradores, só falta a vontade política para que as famílias tenham seu direito reconhecido.

Confira a reportagem do Seu Jornal, na TVT